Faça seu Login

Colunistas ST

André Santos
Escreverei uma coluna mensal sobre a "Arte Suave" - Jiu Jitsu
---------------------------------------------

Álvaro Romano
Fundador, idealizador e introdutor do método Ginástica Natural
---------------------------------------------
Carlos Rotolo
Pratico Karatê há 16 anos e sou atleta da Seleção Brasileira e Catarinense de Karatê
---------------------------------------------
Dr. Funchal
Saúde no esporte, orientações, prevenções e principalmente dúvidas sobre o trauma esportivo
---------------------------------------------
Marcos Luz
é com muita satisfação que apresento a coluna "Por Dentro do Boxe"
---------------------------------------------
Renildo Nunes
História do Judô, filosofia, competições e aspecto educacional
---------------------------------------------
Augusto Bayard
Irei escrever a coluna sobre Pilates.
---------------------------------------------
Carlos Gracie Júnior recebe a Sultatame para um bate-papo exclusivo
Escrito por Administrator ST - Ter, 02 de Dezembro de 2008 22:02

Sultatame - Qual a intenção da CBJJ com eventos de porte regional, como é o caso dos campeonatos Norte e do Sul Brasileiro? Como um evento pode promover o crescimento do JJ?

Carlos Gracie Jr. – A melhor maneira de fazer isso é como a gente está fazendo. É descentralizando, arrumando parcerias com outras organizações de Jiu-Jitsu, como associações e federações, para realizarmos mais campeonatos, e assim termos condições de dar mais atenção a lugares fora do Rio de Janeiro. Pois na verdade os maiores eventos de Jiu-Jitsu sempre foram no Rio de Janeiro. E hoje nós estamos querendo caminhar com estes eventos pelo Brasil todo. Isso vai acabar incentivando e criando oportunidades a atletas que muitas vezes não têm condições de sair de suas regiões para competir nestes eventos no Rio de Janeiro. Então, a idéia é levar estas competições até eles. Eu acho que isso é importante para o Jiu-Jitsu, para o atleta, e para nós que administramos o esporte.

É fundamental que a gente tenha acesso a todas essas pessoas que praticam o Jiu-Jitsu. Com os eventos viajando por todo o Brasil, cada vez mais pessoas que não iam ao Rio para participar agora podem automaticamente se cadastrar e fazer parte do sistema da CBJJ pois o evento é em sua região.

Sultatame - Quais os benefícios do novo sistema de informatização da CBJJ?

Carlos Gracie Jr. – Hoje nós não estamos mais trabalhando com o nosso bairro e com as poucas academias que participavam dos eventos. A gente começou a atuar no Brasil inteiro e também no mundo. Então, se não for criado um sistema de controle e de regras, não só regras de campeonato, mas regras de conduta, de faixas e de posturas dentro do esporte vai ser impossível fazer uma conexão do mundo do Jiu-Jitsu. Então que, se tem uma pessoa na Austrália, enquanto que outra está aqui no Brasil e outra lá na Europa, essas pessoas não se conhecem, não se vêem, e de repente, dificilmente vão se ver ou ter contato umas com as outras.

Daí o que vai acontecer, uma vai usar um sistema aqui, outra segue o sistema de lá, e toda vez que você vai para um lugar está tudo diferente do que deveria ser. Nós precisamos ter um sistema único e que esse sistema seja através da internet, que todo o mundo tenha acesso e trabalhe conforme esse sistema. Então o que vai acontecer: o sistema de graduação de faixa por exemplo, se tiver uma pessoa na China, outra no Japão e outra no Brasil, elas vão seguir o mesmo sistema. Isso também vai servir para as regras de campeonato, tá acontecendo um campeonato em um país, e ao mesmo tempo em outro, as regras vão ser as mesmas para ambos os eventos pois fazem parte do mesmo sistema unificado. Isso vai servir para várias outras dimensões do esporte como o sistema de filiação, das carteirinhas, do tempo de prática para o sujeito passar de faixa, exames para árbitros, exames para receber a faixa preta, todo esse tipo de coisa vai ser através da internet e acessível para todos. O benefício disso é termos um esporte coeso e de uma direção só no mundo inteiro. Essa é a intenção na qual a federação está trabalhando agora, praticamente estamos finalizando isso e muitas coisas já estão acontecendo. Eu acredito que isso será o pontapé de uma nova era para o Jiu-Jitsu.

 Sultatame - Na sua opinião, o que é preciso fazer para desenvolver o JJ no Brasil?

 Carlos Gracie Jr. – O investimento no esporte é um investimento a longo prazo. Você tem que começar a investir nas bases, para que um dia esses atletas da base tornem-se tops. Na verdade, o governo tem que ter um compromisso com esse investimento para ele dure o tempo que envolve a maturação do atleta de base até ele ter condições de representar o país nos níveis mais altos. E tem que ir além, para que o ciclo nunca acabe, como é feito nos países mais desenvolvidos. Pudemos ver que nestas olimpíadas, as americanas levaram o ouro na ginástica olímpica. Só que o técnico delas era Chinês. Ou seja, os EUA “importaram” um técnico da China para treinar a equipe. Eu vejo isso acontecer na ginástica olímpica aqui perto. Quando começaram a aparecer alguns bons atletas em Curitiba, os responsáveis pela equipe trouxeram um técnico de um país onde essa modalidade é bem mais desenvolvida para treinar o pessoal daqui. E os resultados foram aparecendo.

Por enquanto o Brasil é o número 1 em Jiu-jitsu no mundo. Mas se não houver investimento para continuar este trabalho por aqui, isso vai fazer com que os atletas de base lá de fora, onde o governo do país apóia continuamente o esporte, um dia tenham condições de superar os atletas brasileiros de Jiu-Jitsu. Acredito que nos próximos 10 ou 15 anos, se não houver um estímulo maior no Brasil, nós corremos o risco de perder essa liderança. Um país que não tem bons mestres vai buscá-los onde eles estão. E o Brasil é o celeiro mundial de professores de Jiu-Jitsu. Então que uma academia nos EUA, Europa, Japão, ou seja lá onde for, que deseja implantar um Jiu-Jitsu “sério” por lá, e precisa de um professor que realmente tenha conhecimento, ela vem buscar esse professor no Brasil. E ainda por cima os caras oferecem uma condição boa, fica difícil reter este  profissional de Jiu-Jitsu por aqui. Isso acontece porque não há estímulo no Brasil. O grande estímulo que tem por aqui é a imprensa metendo o pau no Jiu-Jitsu toda a vez que um atleta ou praticante de Jiu-Jitsu briga na rua. Então que, se uma pessoa que pratica um esporte briga na rua, essa pessoa é a culpada. E não o esporte que ela pratica. E os outros milhares praticantes que não brigam? Estão sendo tachados de marginais, delinqüentes só porque uma maçã podre cometeu uma irregularidade e estragou o cesto todo. Eu acho que cada um responde por si, não interessa o que ele faz, qual a modalidade que ele pratica no mundo. Se um advogado cometer um estelionato, não vão ser todos os advogados que passam a ser estelionatários agora. A imprensa aqui no Brasil fez um ótimo trabalho para desvalorizar os professores de Jiu-Jitsu e isso acaba atrapalhando demais o ganha-pão de muita gente boa. Os pais que já tinham um pé atrás em botar seus filhos para praticar Jiu-Jitsu agora mesmo acabam desistindo de vez. Com toda essa carga de preconceito para o negócio, a conseqüência natural é você ter uma dificuldade maior para viver dignamente de Jiu-Jitsu por aqui, o que só contribui para os professores irem embora buscar essas condições em outros países. Porque lá eles estão sendo idolatrados e bem remunerados. Daí não tem como eles não darem o máximo nestes países que os acolhem.

Sultatame - Como avalia o progresso do BJJ no exterior?

Carlos Gracie Jr. – O progresso do BJJ no exterior é cada vez maior devido a ter bons professores brasileiros que se mudaram para ensinar a arte lá fora em boas academias. O Jiu-Jitsu tende a se desenvolver lá assim como se desenvolveu no Brasil, só que com uma infra-estrutura de base melhor, com mais facilidades à disposição dos professores e atletas do que temos aqui. No Brasil, o cara para se sobressair tem que ter muita força de vontade, muita determinação e investir muito nele mesmo com os próprios recursos. Já lá fora é mais fácil. O país, a infra-estrutura disponível e o governo favorecem que você tenha mais acesso a uma infinidade de coisas para evoluir.

Sultatame - Você considera o BJJ um ótimo cartão de visitas do nosso País?

Carlos Gracie Jr. – Eu acho que o Brasil passou a ter uma influência positiva em vários países por causa do Jiu-Jitsu. Hoje eu vejo estrangeiros usando bandeiras do Brasil em suas academias e seus kimonos. Eu também vejo pessoas do mundo inteiro interessadas em aprender português, saber o que é o Brasil, onde é o Brasil e vindo para cá para conhecer as origens. Tudo isso por causa do Jiu-Jitsu. O Brazilian Jiu-Jitsu está sendo um elo de entrosamento entre com vários outros países e até de divulgação da nossa cultura, o nosso lifestyle , o nosso lado bom, principalmente para os países do 1º mundo, que antes não tinham interesse e nem queriam sequer saber o que era o Brasil.

Sultatame - Entender melhor o jeito de vida do brasileiro para os praticantes estrangeiros ajuda a entender melhor o BJJ?

Carlos Gracie Jr. – O estrangeiro procura um conjunto de coisas. Ele quer sentir como é o Brasil que ele ouve lá fora através de histórias. Ele quer conhecer o povo brasileiro, porque ele já tem uma experiência dos brasileiros que encontrou em seu país e também quer conhecer o calor humano que as pessoas têm aqui, nossos costumes, nossa língua. Para eles é uma descoberta de uma coisa que ele não sabia que existia e por ter encontrado isso na academia de Jiu-Jitsu ele se mostrou interessado naquilo tudo ali. Esse primeiro contato, já na academia, muda a vida dele. Daí ele passa a vir para cá 1, 2, 3 vezes e até acaba casando com uma brasileira.

Sultatame – Como você se relaciona com o atual momento do JJ na sua vida?

Carlos Gracie Jr. - Eu estou aí para ensinar Jiu-Jitsu para qualquer um que me procure e que tenha boas intenções em usar esta arte. Faço isso sem restrição de credo, classe social e cor, pode ser preto, branco, amarelo, pra mim é tudo igual. Eu acredito no ser humano e trabalho para melhorar aquelas pessoas que estão do meu lado, dando bons conselhos e passando a experiência que eu recebi dos mestres que repassaram seus ensinamentos para mim. Hoje eu repasso esse conhecimento para aqueles que me procuram e me sinto muito feliz com o que estou fazendo. A família Gracie sempre lutou para desenvolver o Jiu-Jitsu. Nós achamos que é uma coisa positiva e que pode ajudar a humanidade, por ser algo que integraliza o indivíduo na sociedade. Você faz um ambiente de amigos, vê segurança e ao mesmo tempo ensina bons hábitos para as pessoas que estão do teu lado. Fazer parte disso tudo é uma satisfação para mim. E eu vejo isso crescendo lá fora. As pessoas reconhecem e dão valor, o que para mim é mais gratificante ainda. Eu faria esse trabalho da mesma forma se as pessoas dessem ou não dessem valor para isso, pois eu acho que é a minha responsabilidade, é uma coisa que eu amo fazer. Mas quando você vê as pessoas reconhecendo esse trabalho, isso tudo acaba se tornando um grande estímulo, para que você trabalhe cada vez mais, com mais afinco naquilo que você acredita. Eu acho que o Jiu-Jitsu está crescendo e todo este reconhecimento por parte das pessoas está abrindo um imenso campo de trabalho para os brasileiros no mundo todo. Por causa do Jiu-Jitsu eu não me restrinjo a fronteiras e me considero um cidadão do mundo.

Sultatame   Como é o Carlos Gracie Jr. para você?

Carlos Gracie Jr. – Acho até que eu sou uma pessoa tímida, que não é muito de aparecer, eu sou mais de trabalhar por trás da cortina a verdade é essa. Porque eu não estou fazendo as coisas com a intenção de aparecer, estou fazendo o que eu acho que tenho capacidade fazer pois acredito profundamente naquilo que faço, entendeu?

E por ser um cara simples, não acho que esteja fazendo nada de mais, é apenas a minha obrigação. E se eu puder faço ainda mais, é só me dar condições. Digo isso porque eu nunca estou satisfeito com aquilo que eu já fiz, eu estou sempre procurando algo mais. Eu acredito que a vida é assim, sempre buscar o aperfeiçoamento, o autoconhecimento. Eu acho que o Jiu-Jitsu me deu a chance de me adiantar um pouco nessa jornada, procurando sempre saber quais são as minhas fraquezas, as minhas habilidades e lutando para aperfeiçoá-las. Eu sou uma cara que está em busca do aperfeiçoamento.

Sultatame – Fale um pouco sobre a sua vinda para Florianópolis.

Carlos Gracie Jr. – Eu gosto muito do Rio de Janeiro e sempre achei ali um lugar muito legal de se morar. Mas a cidade cresceu muito, perdeu um pouco aquele encanto de ter certa parte rural, certa parte aquela nostalgia da praia, aquela coisa romântica e passou a ser um lugar muito populoso, enquanto que Florianópolis é o que mais se assemelha ao Rio que existia há 30 anos atrás. Em relação à cidade, meu irmão já morava aqui, sempre passava minhas férias em Floripa, tem um pessoal que já faz o Jiu-Jitsu por aqui, enfim, é um ambiente favorável para expandir o amor que eu tenho pelo Jiu-Jitsu. Porque também tem várias pessoas amigas minhas com academia aqui, então eu gosto de treinar e participar da cena local do Jiu-Jitsu com eles, e ao mesmo tempo é uma cidade tranqüila, que ainda tem aquela coisa um pouco provinciana de ver o filho crescer mais solto, o colégio é aqui do lado, tem a padariazinha que você vai andando comprar leite. E isso tudo me deixou apaixonado, pois eu gosto de um ambiente desse jeito mais tranqüilo. Quando eu morava no Rio de Janeiro eu sempre fui fugindo do agito. Cada vez que a civilização ia chegando perto eu corria para um bairro mais tranqüilo, até que a civilização chegava lá também. E nessas eu corri até a Barra da Tijuca que era o último bairro sossegado. Hoje a Barra é quase uma cidade, um lugar populoso, tumultuado, com engarrafamento pra todo o lado. Daí eu resolvi pular uns estados ao invés de bairros e vim parar aqui em Florianópolis.

Sultatame – Qual é o maior ensinamento do Jiu-Jitsu para a sua vida?

Carlos Gracie Jr. – O que eu tenho para falar para as pessoas é que elas têm que buscar o autoconhecimento através do Jiu-Jitsu. O Jiu-Jitsu não é apenas um aprendizado de golpes para moldar seu corpo físico, o seu corpo atlético para estar preparado para o combate. O Jiu-Jitsu é na verdade um autoconhecimento, que através dos anos de prática que você faz , e pelas fases que você passa dentro dessa arte  marcial, você começa a conhecer a si mesmo. Você entra em contato com as suas fraquezas, começa a trabalhar o seu lado interior e consequentemente passa a se tornar uma pessoa mais humana, mais confiante. Passa a ter uma noção geral do seu eu interior. Então eu acho que através do Jiu-Jitsu, e muitas vezes a meditação vai ajudar nisso, a gente deva meditar sobre o que a gente é lá dentro, e não apenas focar em ter o corpo atlético, ou ser um campeão, ou ser um cara forte em que as pessoas vão olhar e reconhecer tudo isso em você, porque um dia tudo isso acaba. Você vai ficando mais velho, essa sua pujança física, a velocidade, isso tudo vai desaparecer.E quando isso se for, o que vai sobrar? Se você não tiver preparado o lado interior, para que você possa continuar o seu desenvolvimento, você vai se sentir um pouco perdido, desanimado e talvez até abandone o esporte porque começa a se achar impossibilitado de continuar treinando pois as suas possibilidades de êxito não são mais as mesmas. Você era acostumado a ganhar de todo mundo e agora não ganha mais, e quando você começa a lidar com isso, essa curva da idade, e continua ativo dentro do esporte, você começa a mudar sua interpretação de você mesmo. Então que você vai ter que começar a perder, vai ter que aprender a ceder, e a partir daí você vai começar a aprender o verdadeiro Jiu-Jitsu. Porque Jiu-Jitsu na verdade é ceder para vencer. E se conhecendo melhor você vai começar a buscar novas formas de sobreviver com as poucas possibilidades físicas que você tem perante os mais novos e os mais fortes. Que isso fique bem claro: Jiu-Jitsu é muito mais que uma coleção de golpes.

Isso tudo você acompanha na SultatameTV. É simples e fácil, basta você se cadastrar gratuitamente e assistir a entrevista imperdível.

Para acessar o vídeo com a entrevista, clique aqui.

 

Academias Parceiras

Banner

Banner

Banner

Banner

Banner

Banner