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Colunistas ST

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Escreverei uma coluna mensal sobre a "Arte Suave" - Jiu Jitsu
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Entrevistas
Álvaro Mansur, o árbitro dos árbitros...
Escrito por ST News - Ter, 10 de Novembro de 2009 09:07

Álvaro Mansur, o árbitro dos árbitros...sua história, a evolução da CBJJ e as polêmicas arbitragens...tudo isso e muito mais, só aqui no Sultatame.net

 

Como o esquema por aqui é estar sempre antenado e, principalmente, estar ao lado de quem também está sempre ligado no que acontece dentro e fora das competições, o Sultatame.net tem a honra de bater um papo super-interessante com Álvaro Mansur, que é professor de Educação de Física, formado pela Federal Rural do Rio de Janeiro, Diretor Técnico da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu e Diretor Técnico da Federação Internacional de Jiu-Jitsu, que também é professor e diretor da Academia Tsou Fighters.

 Quando começou a praticar o jiu-jitsu e por quê?

R: Comecei quando eu tinha 6 anos de idade. O meu ingresso no jiu-jitsu está relacionado a uma questão familiar, onde o meu tio já era professor de jiu-jitsu...e aí, sabe como é, rolava toda aquela pressão (risos)... tinha todo aquele incentivo que sempre acontece...meu tio dizia, “vem treina, esse menino tem que treinar...”e aí eu comecei a treinar por causa disso.

 Onde fica sua academia?

R: A sede da Soul Fighters fica no Rio de Janeiro, mas temos filiais em Manaus e na Espanha.

 O que você acha da prática do jiu-jitsu para crianças?

R: Eu sou suspeito em falar. Eu acho que o jiu-jitsu para a criançada é nota 10. Eu acredito que por ter uma escola, onde também eu formo crianças, onde fui formado também numa escola juntamente com outras crianças, além da visibilidade que tive após a formação acadêmica, pude observar a aplicabilidade da modalidade, seja no desenvolvimento da parte psicomotora. Não só isso, trabalhamos também a formação de caráter e uma série de coisas que ajudam no desenvolvimento desta criança. Fora isso, trabalha-se o simples fato de apreender a cair, e com isso, se minimiza as chances de um acidente grave...então, para criança eu acho fundamental...melhor até que para os adultos.

 Quando e como surgiu o trabalho com a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ)?

R: Olha, eu já arbitrava há muitos anos, já arbitrava a muito tempo, e aí com a criação da CBJJ eu comecei a arbitrar pela CBJJ e na época eu não era diretor, eu apenas arbitrava. E aí, com o passar do tempo, o Carlinhos Gracie juntamente com o Zé Beleza me chamaram para poder estar ajudando junto a Direção de Arbitragem. Aí com a saída do Zé Henrique da arbitragem, foi necessária a minha entrada. Assim eu assumi esta parte e foi aí que começou todo o envolvimento que até hoje existe...e o laço se torna cada vez maior.

 Quem foram a pessoas que se envolveram na criação das regras do jiu-jitsu e suas alterações?

R: As pessoas que se envolveram nessa criação...eu posso ate me equivocar...em termos de lembrança...meu professor, meu tio, mestre Fransisco Mansur, mestre Hélio Gracie, uma pessoa que ajudou na organização da regra e que nem é professor, Élcio Leal. E quanto as alterações da regra, elas foram acontecendo com o passar do tempo...e aí, as pessoas que estavam na direção é que foram responsáveis pelas alterações e reformulações.

 Na sua gestão, qual foi a maior modernização que ocorreu na regra?

R: Eu acredito que a maior coisa que a gente conseguiu implantar foi a colocação de três árbitros por área...eu acho que isso foi uma coisa muito importante para o jiu-jitsu de competição...e minha expectativa é que isso seja válido não só para os faixa-pretas, como também para os faixa-marrons, roxas, azuis e brancas...

 Essas “polêmicas” que sempre rolam nos campeonatos, sobre os resultados das lutas...qual a sua opinião sobre isso?

R: A polêmica no resultado ela só existe quando se trata de um empate...existe, e vai existir sempre...porque não tem como você agradar as duas partes envolvidas. O arbitro vai ter que dar a decisão, vai ter que apontar um vencedor...e não existe um tempo a mais, não existe um ponto a mais...acabou o tempo de luta designado para aquela faixa etária, para aquela graduação, o árbitro vai ter que interromper a luta e apontar a decisão...e aí, vai reclamar o perdedor, que muitas vezes, vai se julgar injustiçado. Fora isso, existem os erros...existem, e a gente não pode negar...existem as falhas, até porque somos seres humanos...e infelizmente estamos sujeitos a erros. Num campeonato de jiu-jitsu, a gente tem, normalmente, de seis a dez áreas de luta...isso eu falo a nível de CBJJ, diferente do que acontece em campeonatos menores...então o que acontece, eu não teria condições de acompanhar todas as áreas ao mesmo tempo e estar tomando conta de cada área...então fica uma coisa muito complicada de você julgar ou intervir durante a luta...como se faz no futebol, que você congela as imagens e as projeta num telão, com tira-teima...o nosso caso não é uma única luta, são várias lutas ao mesmo tempo.

 Errar é humano. Mas o que acontece com aqueles árbitros que “falham” demais?

R: (risos)...a gente tira ele. Na verdade, existem punições. Podem acontecer falhas pequenas ou graves, que serão punidas, seja com suspensões ou com o pagamento de cestas básicas à instituições de caridade...o que não podem acontecer são falhas gritantes.

 Já existem algumas mudanças nas regras previstas para 2010?

R: Existe muito pouca coisa...mas existem sim algumas alterações. São mudanças que só vêm a melhorar para os atletas, para facilitar a decisão dos árbitros...coisas simples

que vão minimizar as chances de interpretação...

  É possível voltar o resultado? Já aconteceu alguma vez?

R: É possível sim voltar o resultado e já aconteceu, mas é caso específico. Específico em que sentido? Na verdade são três casos e aí eu vou ter que intervir. No primeiro caso é relacionado à interpretação de placar...é quando o ganhador da luta perde. O árbitro equivocadamente se confunde na leitura do placar e aponta o perdedor como o vencedor. Uma segunda coisa que a gente volta atrás é quando um atleta ganha por um golpe não permitido. Por exemplo, quando um faixa azul aplica um leg-lock e vence a luta...e o árbitro dá a vitória para o faixa azul...na verdade, um faixa azul não pode aplicar um leg-lock...leg-lock é proibido para um faixa azul...então, na verdade, ele deve ser desclassificado. E uma terceira situação, é o inverso. É quando um atleta faz o oponente bater por uma posição permitida e o árbitro alega que não é permitido e por infelicidade desclassifica o atleta.

 Qual a importância da filiação junto à CBJJ?

R: Existem vários benefícios. Primeiro, o atleta terá um histórico dentro do esporte. Então a CBJJ possui arquivos onde o atleta sempre terá noção de tudo...então, se um dia ele precisar de alguma documentação ou dado específico, ele vai ter isso a sua disposição. E o atleta que não está filiado, de uma forma ou de outra, não vai ter a sua disposição essas informações avalizadas pela confederação neste sentido.

 Qual foi a luta mais polêmica na sua gestão?

R: Na minha gestão a luta mais polêmica foi a do Roger versus Jacaré. Duas lutas por sinal. Uma em 2004 e a outra em 2005...não me recordo ao certo o ano...lembro que Roger pegou o braço do Jacaré, aí o ele se machucou e a luta continuou...e o Jacaré começou a correr da luta e aí o arbitro puniu o Jacaré...porém, não chegou a uma desclassificação e a luta acabou com Jacaré campeão. Polêmica por quê? A polêmica estava no fato de ter ocorrido uma lesão notória no cotovelo do Jacaré e o árbitro não poderia ter interrompido a luta e dado a vitória para o Roger, até porque ele não bateu...o que ele deveria ter feito era ter interrompido a luta e ter chamado um médico...aí sim, se o médico avaliasse a situação e dissesse que o Jacaré não tinha condições de prosseguir na luta, aí sim, poderia dar a vitória ao Roger...

  Qual o motivo dos campeonatos da CBJJ não oferecerem premiação em dinheiro?

R: Aí eu te respondo com outra pergunta: por quê que uma olimpíada não tem premiação em dinheiro? Na olimpíada o atleta não ganha dinheiro, ele ganha medalha. E por quê ele não ganha dinheiro da CBJJ? Porque é o órgão maior, mais organizado dentro do nosso esporte...e isso não preconiza com o propósito da instituição. Agora, veja só, se ele se consagra campeão mundial, por exemplo, ele já recebe a oportunidade de dar seminários em qualquer lugar do mundo...e vai ganhar muito mais dinheiro do que qualquer premiação oferecida nos campeonatos. Basta o atleta ter um bom relacionamento que todo mundo vai buscá-lo....e vai ganhar aí uns US$ 10 mil ou US$ 15 mil sem  pensar muito.

 O que você acha do trabalho que vem sendo realizado na região Sul?

R: Olha, eu acho que vem sendo desenvolvido um trabalho muito sério...e as vezes eu cito como exemplo o comprometimento e a seriedade dos profissionais que exercem a arbitragem na região. É um pessoal que sempre procura estar atualizado, sempre me convidam para ministrar seminários aqui...é tão bacana o empenho dos profissionais do Sul que a CBJJ sempre procura dar todo o suporte quando necessário. Só me resta parabenizar a todos...e que a gente possa evoluir cada vez mais o jiu-jitsu na região Sul.

 

Eu gostaria de deixar um recado pra galera do Sultatame.net. Eu acho que vocês estão no caminho correto, investindo e disponibilizando assuntos relacionados ao nosso esporte. Busquem sempre as melhores informações, porque a notícia é sempre muito importante para o atleta, e muito importante para o público de um modo geral. Uma notícia sempre verídica e imparcial. As entrevistas que eu pude acompanhar tem sido nota 10, os vídeos também são nota 10...e é isso, parabéns.

 

Quem quiser tirar alguma dúvida ou obter maiores informações a respeito de regras, seminários ou a respeito de questões relacionadas às regras da CBJJ, eu coloco o meu endereço eletrônico a disposição.( Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. )

 

Forte abraço a todos.

 
Entrevista do mês com Alexandre Souza
Escrito por ST News - Qui, 26 de Março de 2009 15:20

Nossa entrevista do mês é com um cara de uma simplicidade incrível, um atleta fenomenal , um talento nato. Este é Alexandre Souza, o faixa preta da Gracie Floripa que está representando muito bem Florianópolis em competições nacionais e internacionais de Jiu-jitsu.

Confira o que ele tem a dizer. 

Data de Nascimento: 27/09/1980
Altura: 1,80m  Peso: 89kg
Nacionalidade: Brasileiro
Naturalidade: Bauru - SP
Modalidade: Jiu-Jitsu

Principais Títulos:
2x Campeão Brasileiro 2004/ 2008 (Absoluto)
Campeão da Copa do Mundo 2007
Campeão Sul-Americano 2007 (Peso e Absoluto)
2x Campeão do Desafio Faixa Preta 2007/ 2008
Campeão Europeu 2008 (Peso e Absoluto)

Conquistou no ultimo fim de semana a seletiva do Abu Dhabi.

 ST:Há quanto tempo vc reside em Fpolis? Já estou em Florianópolis  a 8 anos . 

ST:O que determinou a sua vinda para a capital catarinense? O que te atraiu aqui ,em termos de JJ?Minha vinda a floripa foi para fazer faculdade de Eng. Mecânica na Universidade federal de santa catarina.  Logo que cheguei , fui a procura de uma academia de jiu jitsu e descobri que existiam varias academias boas por aqui e um grande nível de bons lutadores. 

ST:Como avalia a evolução do seu JJ neste tempo que mora aqui?Com certeza foi providencial para a evolução do meu jiu jitsu a minha mudança para Santa Catarina, pois aqui obtive importantes contatos com grandes nomes do jiu jitsu alem do estimulo oferecido pela minha equipe. 

ST:Pode destacar algum fator em especial? Academia, professores, qualidade dos treinos nível dos atletas, estrutura das academias, qualidade de vida da cidade...

Foram vários os fatores que me ajudaram, mas principalmente a qualidade dos treinos que muito me ajudaram , alem do interesse mutuo de todos .. 

ST:Como é o seu ritmo de aulas e treinos em Fpolis? Muda muito próximo das competições? Trabalha algum aspecto em especial para esta finalidade?Muitos pessoas me perguntam como é o meu treino ou se existe algo especial que eu faça , e eu sempre respondo que não há nenhum segredo.  Procuro treinar com regularidade e constância , dar aulas e manter uma vida relativamente regrada e sem excessos, sempre mantendo o foco em meus objetivos.   

ST:Como os seus alunos auxiliam você na preparação para os campeonatos? Aspecto técnico ou suporte moral e incentivo?É exatamente da forma que você expôs a pergunta , todos me ajudam de uma forma ou de outra ,sendo técnica  , moral , incentivadora ou física. Sei que posso contar com todos eles ,assim como eles podem contar comigo.   

ST:Como o intenso ritmo de competições em 2009 está refletindo no seu jj – Europeu, Seletiva Abu Dhabi e agora o Pan, o que está mudando, aspecto mental, jogo mais versátil, chega mais tranqüilo às decisões? Aliais o que passa pela sua cabeça antes das lutas?

Estou procurando selecionar mais as competições a nível de importância e de conquista.  Estou muito feliz com os meus resultado. Com relação a o que passa pela minha cabeça , confesso que depois de tantos anos de competição ,não sinto mais nenhum nervosismo e não carrego nenhum peso e ter que provar nada a ninguém , pois sempre procurei respeitar todos e manter sempre uma postura humilde e branda.

  ST:Qual seu grande objetivo em 2009?

 O meu próximo objetivo é o Abu dhabi pro , também pretendo lutar o mundial CBJJ. Acho que a principio são esses meus grandes objetivos. 

ST:Quais são atualmente seus adversários mais difíceis?  (em competições recentes Europeu e Abu Dhabi).Meus adversários mais difíceis que ainda estão nas competições de jiu jitsu , acredito que são o Roger Gracie , o  Xande Ribeiro e o Braulio  Stima. 

ST:No que eles te surpreenderam ou chamaram a atenção?

Principalmente na estratégia de luta. 

ST:Alexandre de Souza se espelha em alguém?Tenho muitos ídolos do jiu jitsu em que me espelho um deles é o  Roleta que sempre admirei. 

ST:Vc hoje vive do JJ?Sim ,hoje eu vivo apenas do Jiu Jitsu. 

ST:Pretende viver do JJ para sempre?Se fosse possível sim, pois é pra mim é muito agradável me dedicar a algo que me da muito prazer e satisfação.

ST:Qual é o maior sonho do Alexandre de Souza  hoje?  Poder treinar jiu jitsu por mais uns 100 anos (risos) .    

ST:Deixe um recado para os leitores que também querem correr atrás de seu sonho em 2009. Não há conquista sem dedicação , privação , perseverança , paciência , vontade , esforço , coragem,  determinação, convicção, conceito  ... 

 

 
Entrevista Raphael dos Santos "Anão" - Catarinense brilha no exterior!
Escrito por Administrator ST - Ter, 13 de Janeiro de 2009 21:04

ST: Raphael, a quanto tempo você está fora do Brasil?

R.: Estou a 4 anos fora do Brasil e na batalha.

ST: Por que motivo você resolveu sair do Brasil?

R.: Na verdade no Brasil e muito complicado para nos atletas sobreviverem, pois nao temos o respaldo necessario para que consigamos atingir nossos objetivos. ja no exterior as condiçôes sâo exatamente opostas e as oportunidades aparecem, entao foi por esse motivo eu decidir me aventurar pelo mundo.

ST: Quais os títulos que você conquistou fora?

R,: Campeão Mundialito de judo  ( Florida)
        Campeão ADCC trials (Poland)
        Campeão Copa  Gniezno BJJ ( Poland)
        Campeão Surrey Trials judo ( England)
        Campeão surrey Teams Judo ( England)
        Campeão Senior Nationals ( England)
        Campeão Heart of England ( Nationals)
        Campeão Harris competition (England )
* teminando o ano de 2008 invicto na Great Britain

ST: Os lugares que você deu aula?

R.: Nos EUA nao dei aulas, comecei na Polonia onde deixei uma Filial e depois vim pra Great Britain onde dou aulas em 2 lugares e tenho uma filial na Costa Sudoeste da Inglaterra chamado Cornwall onde vou a cada 2 meses fazer uma visita e dar uma atençao especial. 

ST: Como você vê o JJ atualmente no Mundo?

R.: O BJJ como é chamado pelos gringos se tornou um dos esportes mais procurados e conhecido, isso se deve especialmente a familia Gracie que difundiu essa arte pelo mundo. Eu fico muito feliz que isso tenha acontecido, pois aqui  fora, podemos fazer  dinheiro e sobreviver do que sabemos fazer melhor , enquanto no brasil seria muito dificil isso acontecer.

ST: Quais seus objetivos futuros? Você pretende voltar para o Brasil?

R.: Meu maior objetivo ja foi alcancado, pois construi uma linda familia, e vivo num pais que me da todo o respeito e assistencia necessaria, no entanto profissionalmente ainda pretendo competir e continuar a ser uma pedrinha no sapato dos meus adversarios hehheehe.A respeito do Brasil com certeza estarei sempre em contato, pois tenho muitas pessoas que amo e que tambem fazem parte dessa vitória, mais no momento nao penso em morar no Brasil.

ST: E suas palavras finais para nossos internautas?

R.: Gostaria de agradecer SulTatame  pelo carinho e atencão que vem dispensado ao esporte, e a todos que estao contribuindo para que o JJ cresça e se torne um esporte de elite assim como muitos outros. A todos,  apenas uma palavra que meu mestre sempre me falava e é muito real. '' QUEM TREINA, TREINA , QUEM NAO TREINA BATE PALMA PARA QUEM TREINA '' ( Carlos Aberto da Rocha)

Muito obrigado!!

“Repleta da miscigenação, belezas naturais e composta por um povo acolhedor, típico da realidade brasileira, Santa Catarina é, por assim dizer, filha do verde e do amarelo, um lugar de tanta riqueza, história e peculiaridade cultural e étnica, projetando campeões. tipicamente catarinenses, caracterizados por aquilo que o Brasil tem de melhor: a heterogeneidade humana “


 

 
Carlos Gracie Júnior recebe a Sultatame para um bate-papo exclusivo
Escrito por Administrator ST - Ter, 02 de Dezembro de 2008 22:02

Sultatame - Qual a intenção da CBJJ com eventos de porte regional, como é o caso dos campeonatos Norte e do Sul Brasileiro? Como um evento pode promover o crescimento do JJ?

Carlos Gracie Jr. – A melhor maneira de fazer isso é como a gente está fazendo. É descentralizando, arrumando parcerias com outras organizações de Jiu-Jitsu, como associações e federações, para realizarmos mais campeonatos, e assim termos condições de dar mais atenção a lugares fora do Rio de Janeiro. Pois na verdade os maiores eventos de Jiu-Jitsu sempre foram no Rio de Janeiro. E hoje nós estamos querendo caminhar com estes eventos pelo Brasil todo. Isso vai acabar incentivando e criando oportunidades a atletas que muitas vezes não têm condições de sair de suas regiões para competir nestes eventos no Rio de Janeiro. Então, a idéia é levar estas competições até eles. Eu acho que isso é importante para o Jiu-Jitsu, para o atleta, e para nós que administramos o esporte.

É fundamental que a gente tenha acesso a todas essas pessoas que praticam o Jiu-Jitsu. Com os eventos viajando por todo o Brasil, cada vez mais pessoas que não iam ao Rio para participar agora podem automaticamente se cadastrar e fazer parte do sistema da CBJJ pois o evento é em sua região.

Sultatame - Quais os benefícios do novo sistema de informatização da CBJJ?

Carlos Gracie Jr. – Hoje nós não estamos mais trabalhando com o nosso bairro e com as poucas academias que participavam dos eventos. A gente começou a atuar no Brasil inteiro e também no mundo. Então, se não for criado um sistema de controle e de regras, não só regras de campeonato, mas regras de conduta, de faixas e de posturas dentro do esporte vai ser impossível fazer uma conexão do mundo do Jiu-Jitsu. Então que, se tem uma pessoa na Austrália, enquanto que outra está aqui no Brasil e outra lá na Europa, essas pessoas não se conhecem, não se vêem, e de repente, dificilmente vão se ver ou ter contato umas com as outras.

Daí o que vai acontecer, uma vai usar um sistema aqui, outra segue o sistema de lá, e toda vez que você vai para um lugar está tudo diferente do que deveria ser. Nós precisamos ter um sistema único e que esse sistema seja através da internet, que todo o mundo tenha acesso e trabalhe conforme esse sistema. Então o que vai acontecer: o sistema de graduação de faixa por exemplo, se tiver uma pessoa na China, outra no Japão e outra no Brasil, elas vão seguir o mesmo sistema. Isso também vai servir para as regras de campeonato, tá acontecendo um campeonato em um país, e ao mesmo tempo em outro, as regras vão ser as mesmas para ambos os eventos pois fazem parte do mesmo sistema unificado. Isso vai servir para várias outras dimensões do esporte como o sistema de filiação, das carteirinhas, do tempo de prática para o sujeito passar de faixa, exames para árbitros, exames para receber a faixa preta, todo esse tipo de coisa vai ser através da internet e acessível para todos. O benefício disso é termos um esporte coeso e de uma direção só no mundo inteiro. Essa é a intenção na qual a federação está trabalhando agora, praticamente estamos finalizando isso e muitas coisas já estão acontecendo. Eu acredito que isso será o pontapé de uma nova era para o Jiu-Jitsu.

 Sultatame - Na sua opinião, o que é preciso fazer para desenvolver o JJ no Brasil?

 Carlos Gracie Jr. – O investimento no esporte é um investimento a longo prazo. Você tem que começar a investir nas bases, para que um dia esses atletas da base tornem-se tops. Na verdade, o governo tem que ter um compromisso com esse investimento para ele dure o tempo que envolve a maturação do atleta de base até ele ter condições de representar o país nos níveis mais altos. E tem que ir além, para que o ciclo nunca acabe, como é feito nos países mais desenvolvidos. Pudemos ver que nestas olimpíadas, as americanas levaram o ouro na ginástica olímpica. Só que o técnico delas era Chinês. Ou seja, os EUA “importaram” um técnico da China para treinar a equipe. Eu vejo isso acontecer na ginástica olímpica aqui perto. Quando começaram a aparecer alguns bons atletas em Curitiba, os responsáveis pela equipe trouxeram um técnico de um país onde essa modalidade é bem mais desenvolvida para treinar o pessoal daqui. E os resultados foram aparecendo.

Por enquanto o Brasil é o número 1 em Jiu-jitsu no mundo. Mas se não houver investimento para continuar este trabalho por aqui, isso vai fazer com que os atletas de base lá de fora, onde o governo do país apóia continuamente o esporte, um dia tenham condições de superar os atletas brasileiros de Jiu-Jitsu. Acredito que nos próximos 10 ou 15 anos, se não houver um estímulo maior no Brasil, nós corremos o risco de perder essa liderança. Um país que não tem bons mestres vai buscá-los onde eles estão. E o Brasil é o celeiro mundial de professores de Jiu-Jitsu. Então que uma academia nos EUA, Europa, Japão, ou seja lá onde for, que deseja implantar um Jiu-Jitsu “sério” por lá, e precisa de um professor que realmente tenha conhecimento, ela vem buscar esse professor no Brasil. E ainda por cima os caras oferecem uma condição boa, fica difícil reter este  profissional de Jiu-Jitsu por aqui. Isso acontece porque não há estímulo no Brasil. O grande estímulo que tem por aqui é a imprensa metendo o pau no Jiu-Jitsu toda a vez que um atleta ou praticante de Jiu-Jitsu briga na rua. Então que, se uma pessoa que pratica um esporte briga na rua, essa pessoa é a culpada. E não o esporte que ela pratica. E os outros milhares praticantes que não brigam? Estão sendo tachados de marginais, delinqüentes só porque uma maçã podre cometeu uma irregularidade e estragou o cesto todo. Eu acho que cada um responde por si, não interessa o que ele faz, qual a modalidade que ele pratica no mundo. Se um advogado cometer um estelionato, não vão ser todos os advogados que passam a ser estelionatários agora. A imprensa aqui no Brasil fez um ótimo trabalho para desvalorizar os professores de Jiu-Jitsu e isso acaba atrapalhando demais o ganha-pão de muita gente boa. Os pais que já tinham um pé atrás em botar seus filhos para praticar Jiu-Jitsu agora mesmo acabam desistindo de vez. Com toda essa carga de preconceito para o negócio, a conseqüência natural é você ter uma dificuldade maior para viver dignamente de Jiu-Jitsu por aqui, o que só contribui para os professores irem embora buscar essas condições em outros países. Porque lá eles estão sendo idolatrados e bem remunerados. Daí não tem como eles não darem o máximo nestes países que os acolhem.

Sultatame - Como avalia o progresso do BJJ no exterior?

Carlos Gracie Jr. – O progresso do BJJ no exterior é cada vez maior devido a ter bons professores brasileiros que se mudaram para ensinar a arte lá fora em boas academias. O Jiu-Jitsu tende a se desenvolver lá assim como se desenvolveu no Brasil, só que com uma infra-estrutura de base melhor, com mais facilidades à disposição dos professores e atletas do que temos aqui. No Brasil, o cara para se sobressair tem que ter muita força de vontade, muita determinação e investir muito nele mesmo com os próprios recursos. Já lá fora é mais fácil. O país, a infra-estrutura disponível e o governo favorecem que você tenha mais acesso a uma infinidade de coisas para evoluir.

Sultatame - Você considera o BJJ um ótimo cartão de visitas do nosso País?

Carlos Gracie Jr. – Eu acho que o Brasil passou a ter uma influência positiva em vários países por causa do Jiu-Jitsu. Hoje eu vejo estrangeiros usando bandeiras do Brasil em suas academias e seus kimonos. Eu também vejo pessoas do mundo inteiro interessadas em aprender português, saber o que é o Brasil, onde é o Brasil e vindo para cá para conhecer as origens. Tudo isso por causa do Jiu-Jitsu. O Brazilian Jiu-Jitsu está sendo um elo de entrosamento entre com vários outros países e até de divulgação da nossa cultura, o nosso lifestyle , o nosso lado bom, principalmente para os países do 1º mundo, que antes não tinham interesse e nem queriam sequer saber o que era o Brasil.

Sultatame - Entender melhor o jeito de vida do brasileiro para os praticantes estrangeiros ajuda a entender melhor o BJJ?

Carlos Gracie Jr. – O estrangeiro procura um conjunto de coisas. Ele quer sentir como é o Brasil que ele ouve lá fora através de histórias. Ele quer conhecer o povo brasileiro, porque ele já tem uma experiência dos brasileiros que encontrou em seu país e também quer conhecer o calor humano que as pessoas têm aqui, nossos costumes, nossa língua. Para eles é uma descoberta de uma coisa que ele não sabia que existia e por ter encontrado isso na academia de Jiu-Jitsu ele se mostrou interessado naquilo tudo ali. Esse primeiro contato, já na academia, muda a vida dele. Daí ele passa a vir para cá 1, 2, 3 vezes e até acaba casando com uma brasileira.

Sultatame – Como você se relaciona com o atual momento do JJ na sua vida?

Carlos Gracie Jr. - Eu estou aí para ensinar Jiu-Jitsu para qualquer um que me procure e que tenha boas intenções em usar esta arte. Faço isso sem restrição de credo, classe social e cor, pode ser preto, branco, amarelo, pra mim é tudo igual. Eu acredito no ser humano e trabalho para melhorar aquelas pessoas que estão do meu lado, dando bons conselhos e passando a experiência que eu recebi dos mestres que repassaram seus ensinamentos para mim. Hoje eu repasso esse conhecimento para aqueles que me procuram e me sinto muito feliz com o que estou fazendo. A família Gracie sempre lutou para desenvolver o Jiu-Jitsu. Nós achamos que é uma coisa positiva e que pode ajudar a humanidade, por ser algo que integraliza o indivíduo na sociedade. Você faz um ambiente de amigos, vê segurança e ao mesmo tempo ensina bons hábitos para as pessoas que estão do teu lado. Fazer parte disso tudo é uma satisfação para mim. E eu vejo isso crescendo lá fora. As pessoas reconhecem e dão valor, o que para mim é mais gratificante ainda. Eu faria esse trabalho da mesma forma se as pessoas dessem ou não dessem valor para isso, pois eu acho que é a minha responsabilidade, é uma coisa que eu amo fazer. Mas quando você vê as pessoas reconhecendo esse trabalho, isso tudo acaba se tornando um grande estímulo, para que você trabalhe cada vez mais, com mais afinco naquilo que você acredita. Eu acho que o Jiu-Jitsu está crescendo e todo este reconhecimento por parte das pessoas está abrindo um imenso campo de trabalho para os brasileiros no mundo todo. Por causa do Jiu-Jitsu eu não me restrinjo a fronteiras e me considero um cidadão do mundo.

Sultatame   Como é o Carlos Gracie Jr. para você?

Carlos Gracie Jr. – Acho até que eu sou uma pessoa tímida, que não é muito de aparecer, eu sou mais de trabalhar por trás da cortina a verdade é essa. Porque eu não estou fazendo as coisas com a intenção de aparecer, estou fazendo o que eu acho que tenho capacidade fazer pois acredito profundamente naquilo que faço, entendeu?

E por ser um cara simples, não acho que esteja fazendo nada de mais, é apenas a minha obrigação. E se eu puder faço ainda mais, é só me dar condições. Digo isso porque eu nunca estou satisfeito com aquilo que eu já fiz, eu estou sempre procurando algo mais. Eu acredito que a vida é assim, sempre buscar o aperfeiçoamento, o autoconhecimento. Eu acho que o Jiu-Jitsu me deu a chance de me adiantar um pouco nessa jornada, procurando sempre saber quais são as minhas fraquezas, as minhas habilidades e lutando para aperfeiçoá-las. Eu sou uma cara que está em busca do aperfeiçoamento.

Sultatame – Fale um pouco sobre a sua vinda para Florianópolis.

Carlos Gracie Jr. – Eu gosto muito do Rio de Janeiro e sempre achei ali um lugar muito legal de se morar. Mas a cidade cresceu muito, perdeu um pouco aquele encanto de ter certa parte rural, certa parte aquela nostalgia da praia, aquela coisa romântica e passou a ser um lugar muito populoso, enquanto que Florianópolis é o que mais se assemelha ao Rio que existia há 30 anos atrás. Em relação à cidade, meu irmão já morava aqui, sempre passava minhas férias em Floripa, tem um pessoal que já faz o Jiu-Jitsu por aqui, enfim, é um ambiente favorável para expandir o amor que eu tenho pelo Jiu-Jitsu. Porque também tem várias pessoas amigas minhas com academia aqui, então eu gosto de treinar e participar da cena local do Jiu-Jitsu com eles, e ao mesmo tempo é uma cidade tranqüila, que ainda tem aquela coisa um pouco provinciana de ver o filho crescer mais solto, o colégio é aqui do lado, tem a padariazinha que você vai andando comprar leite. E isso tudo me deixou apaixonado, pois eu gosto de um ambiente desse jeito mais tranqüilo. Quando eu morava no Rio de Janeiro eu sempre fui fugindo do agito. Cada vez que a civilização ia chegando perto eu corria para um bairro mais tranqüilo, até que a civilização chegava lá também. E nessas eu corri até a Barra da Tijuca que era o último bairro sossegado. Hoje a Barra é quase uma cidade, um lugar populoso, tumultuado, com engarrafamento pra todo o lado. Daí eu resolvi pular uns estados ao invés de bairros e vim parar aqui em Florianópolis.

Sultatame – Qual é o maior ensinamento do Jiu-Jitsu para a sua vida?

Carlos Gracie Jr. – O que eu tenho para falar para as pessoas é que elas têm que buscar o autoconhecimento através do Jiu-Jitsu. O Jiu-Jitsu não é apenas um aprendizado de golpes para moldar seu corpo físico, o seu corpo atlético para estar preparado para o combate. O Jiu-Jitsu é na verdade um autoconhecimento, que através dos anos de prática que você faz , e pelas fases que você passa dentro dessa arte  marcial, você começa a conhecer a si mesmo. Você entra em contato com as suas fraquezas, começa a trabalhar o seu lado interior e consequentemente passa a se tornar uma pessoa mais humana, mais confiante. Passa a ter uma noção geral do seu eu interior. Então eu acho que através do Jiu-Jitsu, e muitas vezes a meditação vai ajudar nisso, a gente deva meditar sobre o que a gente é lá dentro, e não apenas focar em ter o corpo atlético, ou ser um campeão, ou ser um cara forte em que as pessoas vão olhar e reconhecer tudo isso em você, porque um dia tudo isso acaba. Você vai ficando mais velho, essa sua pujança física, a velocidade, isso tudo vai desaparecer.E quando isso se for, o que vai sobrar? Se você não tiver preparado o lado interior, para que você possa continuar o seu desenvolvimento, você vai se sentir um pouco perdido, desanimado e talvez até abandone o esporte porque começa a se achar impossibilitado de continuar treinando pois as suas possibilidades de êxito não são mais as mesmas. Você era acostumado a ganhar de todo mundo e agora não ganha mais, e quando você começa a lidar com isso, essa curva da idade, e continua ativo dentro do esporte, você começa a mudar sua interpretação de você mesmo. Então que você vai ter que começar a perder, vai ter que aprender a ceder, e a partir daí você vai começar a aprender o verdadeiro Jiu-Jitsu. Porque Jiu-Jitsu na verdade é ceder para vencer. E se conhecendo melhor você vai começar a buscar novas formas de sobreviver com as poucas possibilidades físicas que você tem perante os mais novos e os mais fortes. Que isso fique bem claro: Jiu-Jitsu é muito mais que uma coleção de golpes.

Isso tudo você acompanha na SultatameTV. É simples e fácil, basta você se cadastrar gratuitamente e assistir a entrevista imperdível.

Para acessar o vídeo com a entrevista, clique aqui.

 
Entrevista com Rickson Gracie
Escrito por Administrator ST - Dom, 24 de Agosto de 2008 19:54

A Sultatame retoma suas atividades neste mês de Setembro e pra começar, o que não poderia ser diferente, inicia com o pé direito. Em entrevista exclusiva À ST, a "lenda" do jiu-jitsu mundial, o mito Rickson Gracie, fala sobre as glórias do passado, o momento atual e os planos para o futuro. Rickson, que veio a Floripa para um seminário de jiu-jitsu que foi realizado nos dias 12 e 13 de julho recebeu a reportagem no Praia Mole Eco Village e nos presenteou com uma entrevista imperdível. Após o seminário, ele aproveitou a oportunidade para surfar e descansar alguns dias na Ilha ao lado de familiares.

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