Colunistas ST
André Santos Escreverei uma coluna mensal sobre a "Arte Suave" - Jiu Jitsu
---------------------------------------------
Álvaro Romano Fundador, idealizador e introdutor do método Ginástica Natural
---------------------------------------------
    Carlos Rotolo Pratico Karatê há 16 anos e sou atleta da Seleção Brasileira e Catarinense de Karatê
---------------------------------------------
Dr. Funchal Saúde no esporte, orientações, prevenções e principalmente dúvidas sobre o trauma esportivo
---------------------------------------------
Marcos Luz é com muita satisfação que apresento a coluna "Por Dentro do Boxe"
---------------------------------------------
Renildo Nunes História do Judô, filosofia, competições e aspecto educacional
---------------------------------------------
Augusto Bayard Irei escrever a coluna sobre Pilates.
---------------------------------------------
|
Renildo Nunes
|
O início e a Filosofia O Desporto Judô, como o conhecemos hoje, teve suas origens no Jiu-Jitsu, uma arte marcial praticada no antigo Japão cuja finalidade era formar guerreiros. Por volta de 1877, quando o Japão saía de um longo período de guerras e se preparava para os anos de paz e reconstrução, um professor da Universidade de Tóquio, o alemão Dr. Baelz, começou a incentivar os estudantes a praticarem a arte dos Samurais, antigos guerreiros japoneses. A que se considerar que por falta de embasamento pedagógico e objetivos educacionais claros e específicos, ainda não era possível classificar o judô praticado nesta época como esporte. Jigoro Kano, que neste período era um dos estudantes da Universidade de Tóquio, interessou-se pelo estudo dos aspectos menos agressivos do Jiu-Jitsu, e passou a pesquisar e analisar os diversos estilos existentes naquela época, eliminando os golpes mais violentos e desenvolvendo um sistema de luta, acompanhado de uma filosofia, que procurava acentuar o lado educacional, moral e espiritual dos praticantes, baseando-se em um modo de vida de melhor utilização da energia humana; cuja finalidade principal era formar cidadãos pacíficos e não guerreiros. Em 1882 fundou uma escola com o nome de JUDO KODOKAN. Após este primeiro passo, o crescimento e divulgação do Judô pelo mundo aconteceu de forma constante, embora ainda lenta. O impulso decisivo ocorreu apenas nas Olimpíadas de Tóquio de 1964, quando o Judô se tornou um Esporte de projeção Internacional. No início, o Judô tinha como princípio ser uma luta exclusivamente desportiva, servindo para canalizar a excessiva combatividade, acalmar o espírito, o nervosismo e cultivar as qualidades morais, tornar a prática do esporte uma constante forma de disciplina, fazendo-se necessário para isto, o respeito para com os adversários. A filosofia do Judô é fortemente influenciada pela filosofia de vida oriental, a qual transforma a disciplina e o equilíbrio em formas de viver e encarar o semelhante. As palavras de Jigoro Kano sintetizam o princípio do Judô: “pelo treinamento em ataques e defesas, educa-se o corpo e o espírito, tornando a essência espiritual do Judô uma parte de seu próprio ser.” Assim, todos os valores que o judoca aprende nos seus treinamentos, como exemplo, a humildade e a perseverança, devem ser praticadas nos atos do dia-a-dia. Disciplina, Respeito, Educação, Desenvolvimento da Força Física e Técnica, são as cinco regras básicas que o judoca deve seguir. Com o processo de imigração japonesa para o Brasil, o desporto se difundiu na cultura brasileira e hoje podemos concluir pelos resultados obtidos pelos brasileiros nos vários campeonatos, e também pelo grande número de praticantes existentes, principalmente no período formativo, que o Judô foi bem aceito em nossa cultura. Sendo que destacamos o talento dos atletas brasileiros em competições de altíssimo nível como os mundias, os pan-americanos, e as Olimpíadas. Sendo o Judô um traço de aculturamento japonês no desporto brasileiro, é evidente que traz na sua prática a terminologia daquela cultura: os nomes das técnicas, os gestos, as saudações. Entretanto, é necessário considerar que os inputs da cultura em que se encontra inserido o aluno, bem como os aspectos culturais do desporto brasileiro não devem ser ignorados, assim como o que se refere à cultura que traz cada um dos praticantes individualmente. Analisando o contexto do Judô, percebe-se que as adaptações são fundamentais no processo de transmissão de conhecimentos, e isto dependerá principalmente da experiência, capacidade e sensibilidade do professor. No Judô, como em qualquer esporte de lutas, é necessário certo grau de agressividade para se obter êxito, principalmente no rendimento competitivo, mas neste caso a agressividade exigida é positiva, de acordo com as regras de conduta e com as regras desportivas de competição. Este tipo de agressividade necessita de um autocontrole apurado da parte do atleta, que o conseguirá através de uma adequada orientação e muito treinamento. O comportamento agressivo, mas adequado a esse esporte é incentivado principalmente nas competições, pois quando uma luta termina em empate, os árbitros costumam atribuir a vitória ao competidor que foi mais agressivo, mais combativo, ou seja, aquele que se empenhou mais em conseguir a vitória. A agressividade excessiva é totalmente desnecessária nas competições de Judô, pois qualquer ato contrário às regras de conduta ou às regras de competição pune-se com a perda de pontos ou desclassificação, chegando por vezes à suspensão das competições e da federação de Judô. Um dos problemas que podem surgir nas competições é justamente o dano psicológico causado pela valorização excessiva da vitória e da superação dos adversários. Quando não se consegue a vitória, por exemplo, pode surgir a frustração e a raiva que geram atos agressivos prejudiciais e a violência, ou provocar algo ainda pior: a desistência de atletas promissores por falta de uma adequada orientação psicológica e desportiva. A orientação adequada consegue-se por meio da superação, do aperfeiçoamento constante, da persistência e da dedicação, principalmente a educação social, cultural e desportiva, conquistada pela participação sadia em competições esportivas. Finalmente, levemos sempre em consideração as lutas cujas origens sejam capazes de desenvolver o autoconhecimento, o equilíbrio, o controle emocional, a disciplina, a humildade em que se busca a elevação espiritual para se atingir com perseverança a essência do verdadeiro lutador. No momento, disponibilizo estas considerações, enquanto me preparo para as próximas argumentações em breve. Um abraço Renildo Nunes |
|
|
Caros colegas, Estou iniciando a coluna virtual com a finalidade de abordar assuntos relacionados ao judô...sua história, À filosofia, competições e ao aspecto educacional dessa modalidade, que tanto tem colaborado para a formação de indivíduos. Antes de começar, gostaria de me apresentar como profissional. Sou natural da cidade de São Paulo e nasci em março de 1966. Desde pequeno, sempre tive uma relação intensa com a prática esportiva, que foi incentivada pelos meus avós, por quem fui criado. Gostava de jogar futebol e havia grande identificação com meus professores de Educação Física, fato este que creio ter de sido fundamental na minha formação. Pelo meu jeito inquieto e intempestivo, aos nove anos, meus avós me apresentaram o judô, onde minha vida mudaria para sempre.
Meu Sensei, Prof. Kaishi Nagao, austero e sempre preocupado com a formação humana de seus alunos, mais do que cobrava, demonstrava através de ações cotidianas a importância da disciplina e humildade em fortalecer a prática sadia do judô. Aos doze anos, começaram a aparecer as primeiras medalhas. Naquela época, eu representava a Associação de Judô Ipiranga, em São Paulo. Sempre aliando escola e esporte, o aumento progressivo na prática propiciou-me resultados mais expressivos, como a conquista do meu primeiro título brasileiro na categoria Juvenil. Conforme as conquistas aumentavam, as portas se abriam. Assim, surgiu o convite do Esporte Clube Pinheiros, também em São Paulo. Esta mudança favoreceu a oportunidade de conviver, treinar e competir com grandes atletas do cenário nacional, como Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, Douglas Vieira, Walter Carmona, entre outros. Os resultados, foram cinco títulos estaduais em São Paulo, dois brasileiros e a primeira participação internacional no Pan-Americano Júnior na Cidade do México, em 1985, onde conquistei a medalha de bronze. Naquele mesmo ano, participei do Aberto dos EUA, realizado na cidade do Colorado, onde conquistei o 5º lugar, entre 60 participantes. Em 1986, participei do Mundial na Itália e Aberto dos EUA, além de ingressar na faculdade de Educação Física de Santo André, FEFISA. Em 1987, fui morar na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, para fazer parte da equipe do Frigorífico Chapecó, juntamente com outros atletas do Brasil. Este novo desafio gerou muitos frutos, pois neste ano, conquistei o estadual, Jogos Abertos, Brasileiro e o Pan-Americano.
No ano de 1988, decidi morar em Florianópolis, para integrar a equipe da ADIEE e acumular as funções de atleta e técnico da equipe adulta do Instituto Estadual de Educação. Neste período, cursava a faculdade de Educação Física na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e no âmbito esportivo integrava a Seleção Brasileira. Disputei o Circuito Europeu, conquistando um vice-campeonato na Alemanha, uma medalha de bronze na Bulgária, além de ser o primeiro atleta brasileiro da categoria meio-médio a subir o pódio nessa competição. No ano de 1990, após disputar a Copa de Judô em Tókio, no Japão, alcancei o maior dos meus sonhos, estagiar na Meca do judô mundial. Morar na cidade de Tsukuba, no Japão, e treinar na Universidade Tsukuba foi um feito fundamental para minha formação, pois tive a oportunidade de presenciar e sentir de perto toda a energia que os mestres do judô mundial emanam aos que convivem com eles. De volta ao Brasil e terminada a minha graduação, iniciavam novos desafios. A conclusão da especialização em Administração Esportiva pela Udesc e o ingresso como docente nesta instituição de ensino superior. Ainda no âmbito profissional, me tornei coordenador de extensão do Centro de Educação Física da Udesc, além de fazer parte do quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol e Federação Catarinense de Futebol. Em 1997, após a conquista da décima medalha de ouro nos Jogos Abertos do Estado de Santa Catarina, encerrei minha participação competitiva no judô, compreendendo que poderia contribuir em outros aspectos para a conscientização da prática sadia das artes marciais.
Desta forma, ingressei no mestrado em Educação Física na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2000, na área de Teoria e Prática Pedagógica, em que concluí após dois anos. Assumi a disciplina de Lutas Esportivas na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e na Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), buscando de forma efetiva contribuir para a formação de futuros profissionais de Educação Física. Essa foi uma breve retrospectiva da minha história. Espero que transformemos este meio em algo que contribua com o engrandecimento das artes marciais, não somente como luta, mas sim, como filosofia de vida. Conto com vocês. Um abraço. Renildo Nunes. |
|
|
|
|
|
|
|
|